O POLVO PAUL ACERTOU TUDO!

TÍTULO EM BOAS MÃOS NUMA COPA SEM CRAQUE

Por Rafael Antonio

E terminou a Copa do Mundo. Na semana passada eu falava no Por Dentro do Esporte que se a Copa fosse conquistada pela Espanha ou pela Holanda o título ficaria em boas mãos. E ficou. A Espanha foi premiada por vários aspectos. Primeiro, porque apresentou um futebol ofensivo durante toda a Copa do Mundo. Segundo pelo excepcional coletivo que possui. Defesa compacta, um meio campo de “encher os olhos” com toque refinado e no ataque a presença de David Villa, decisivo em muitas partidas, apesar de não brilhar na semifinal e final. A Holanda também fez uma grande Copa, mas abusou da violência na final. É por essas e outras que a Espanha sai consagrada neste ciclo de 4 anos, campeã dos dois torneios mais importantes do Planeta: a Eurocopa e agora a Copa do Mundo.

A Copa também mostrou uma Alemanha que foi para a África desacreditada, mas acabou sendo uma das grandes sensações do torneio. Teve o mesmo problema da Holanda. Quando enfrentou a Espanha não conseguiu reeditar as atuações anteriores. Mas deixa um legado muito positivo, pois deixou de ser pragmática, apresentando um futebol vistoso. Com os garotos amadurecidos nos próximos 4 anos, vem muito forte para o Brasil em 2014.

O Uruguai também foi brilhante. De futebol decadente, foi o grande nome da América do Sul neste mundial. Não foi campeão, mas teve o consolo de ter o melhor jogador do mundial, eleito pela FIFA. Diego Forlan pode não ser um craque, um jogador fora de série, mas numa Copa sem craques na acepção da palavra, ele foi constante em todos os jogos, por isso mereceu o título de melhor.

Aliás, o Mundial 2010 vai ser marcado pelas decepções. A primeira delas foi Messi. Até realizou algumas boas partidas, mas não conseguiu desequilibrar em nenhum jogo. Muito pouco para quem é considerado o Melhor do Mundo na atualidade. As seleções da França e da Itália foram um verdadeiro fiasco. Ficaram a beira do ridículo e se não reverem conceitos, não ficarei surpreso de estarem fora da Copa de 2014. A Inglaterra mais uma vez provou que é muito mais marketing do que bola. Brasil e Argentina só confirmaram o que os torcedores desconfiavam: equipes com alguns lampejos, mas com deficiências crônicas que custaram a eliminação nas quartas de final. A Argentina com uma defesa sofrível e o Brasil com um descontrole emocional difícil de acreditar. Talvez seja fruto da falta de equilíbrio do próprio treinador.

Entre os africanos, Gana pela vontade e superação se salvou. Os demais, francamente foram meros coadjuvantes, inclusive os donos da casa comandados pelo já superado Carlos Alberto Parreira. Os sul-americanos, Chile e Paraguai chegaram onde poderiam chegar, mas acabaram deixando uma boa impressão aos seus torcedores. Os asiáticos mostraram uma boa evolução, principalmente os japoneses, que se acreditassem um pouco mais na partida contra o Paraguai poderiam ter ido mais longe. Para Oceania, ficou a façanha da Nova Zelândia, a única entre os 32 participantes que deixou a Copa sem nenhuma derrota. Foram 3 empates em 3 jogos. Dos países da Concacaf, os Estados Unidos se salvou com um futebol aguerrido, mas que não foi longe.

A Copa também foi dos personagens: Jabulani, a bola que deu o que falar; Paul, o Polvo profeta; Larissa Riquelme, a gostosa; Green, o frangueiro; Vuvuzela, a chatice, Tiago Leifert, a inovação; Caio Ribeiro, o prisioneiro; Milton Leite e Noriega, a dupla impagável; Galvão Bueno, cada vez mais chato; Casagrande, o queimador de língua; André Rizek, chato tanto quanto o Galvão; Casillas e Sara Carbonero (repórter da TV Espanhola), o beijo apoteótico que fechou com chave de ouro o Mundial. E QUE VENHA 2014!


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