54 JOGOS REGIONAIS - LINS 2010

CONCLUSÕES RACIONAIS DOS JOGOS REGIONAIS

Por Rafael Antonio

Depois de algum tempo, por ocasião do Site Jornada Esportiva, acompanhei mais de perto uma edição de Jogos Regionais. Confesso que fiquei irritado com algumas críticas não embasadas sobre a participação de Bauru. Chutar “cachorro morto”, ou criticar por criticar, sem saber o que de fato o que está acontecendo é muito fácil, chega a ser até covarde.

Não que eu tenha procuração para defender a SEMEL, até acho que o secretário precisa falar e se empolgar menos com as declarações e trabalhar efetivamente não se preocupando apenas em anunciar algo para virar notícia na mídia. Aliás, este foi dos motivos para esta “decepção”, pois antes dos Jogos, o secretário Batata veio aos veículos de comunicação e cantou em verso e prosa que Bauru ficaria pelo menos em segundo lugar em Lins. Convenhamos, que após criar uma expectativa dessa, terminar apenas em quinto, torna-se um prato cheio para críticas de todos os lados.

É óbvio que nenhum de nós, muito menos a direção da secretaria de esportes ficou contente com a discreta quinta colocação. Se em outros anos ficávamos atrás de Piracicaba e São Carlos, neste ano ficamos atrás de Botucatu e Santa Bárbara do Oeste. Mas nem tudo foi uma porcaria em Lins. Coincidência ou não, as modalidades que estão um pouco melhores estruturadas na cidade conquistaram bons resultados.

É o caso do futebol masculino (parceria com o Noroeste), basquete masculino (parceria Luso/Bauru Basquete), futsal masculino (parceria AA FIB), vôlei feminino (parceria Luso), natação (parceria Aquática Bauru), handebol (parceria com ABH, que hoje já possui onze escolinhas espalhadas pela cidade), xadrez (parceria Luso/BTC), ginástica rítmica (parceria Luso). Todos estão envolvidos ao longo de todo o ano em competições promovidas pelas suas respectivas federações ou ligas e que atingiram os resultados previstos em Lins, algumas com o primeiro e outras com o segundo lugar.

Não basta simplesmente reunir um pessoal, treinar alguns dias e seguir para os Jogos. Cada modalidade precisa estar devidamente estruturada, deixar as vaidades pessoais de lado e acima de tudo, executar um planejamento ao longo de toda a temporada para atingir os objetivos pretendidos. É preciso haver estrutura para posteriormente existir cobrança. O que nós podemos cobrar do atletismo, se os nossos atletas até hoje treinam no campo de terra do Petrópolis. Até hoje não temos uma pista de atletismo decente. Como podemos segurar um atleta que começa a se destacar na modalidade, se aqui ele não tem o mínimo de estrutura para desenvolver o seu potencial. Pelo menos no caso do atletismo, parece que agora finalmente vão entregar uma pista de atletismo no Edmundo Coube, em 20 de agosto.

Temos modalidades que até alguns anos atrás tinham base e escolinhas, mas que hoje nem equipes mandaram aos Jogos. Um exemplo é o basquete feminino, que em outras oportunidades chegou a ser campeão dos Jogos Abertos, mas que em Lins nem teve equipe representada. Temos que levar em consideração também que as cidades hoje contratam atletas, o que eu acho errado. Isso tem que ser revisto pela Secretaria Estadual de Esportes. Beneficia a quem tem mais poderio financeiro, no caso em nossa região, Piracicaba. Mas não adianta também sempre fazermos aquele discurso de coitadinho, que temos poucas verbas destinadas ao esporte, porque Bauru mesmo sem tantos recursos financeiros contratou também. Foi o caso do vôlei de areia que contou com duas irmãs de Campo Grande, o nosso principal jogador de tênis de mesa era de Maringá, e o futebol feminino tinha a sua base vinda do Volta Redonda/RJ.

O que realmente precisamos ter é uma política esportiva em nossa cidade. Isso começa do poder público em viabilizar leis que propiciem incentivos fiscais aos empresários, para que os mesmos tenham vantagem em patrocinar atletas. Garanto a vocês, que se patrocinadores apoiarem o futebol feminino, o Billy Tibiriçá não vai precisar fazer parceria com Volta Redonda. Os nossos políticos também precisam levar projetos esportivos a Brasília, porque hoje já existem verbas destinadas pelo Ministério dos Esportes. Além disso, um fortalecimento das escolinhas, visando um resultado a longo prazo, sem preocupação de ficar nesta ou aquela colocação nos Jogos Abertos e Regionais é fundamental. Sempre ouço dizer que Bauru é seleiro de atletas, vamos então trabalhar na prática para isso.

Mesmo com todos estes problemas, Bauru ainda consegue revelar talentos. Não posso deixar aqui de citar o trabalho da ginástica artística, que descobriu um diamante bruto chamado Henrique de Lima, garoto humilde do Santa Edwirgens e que conquistou 8 medalhas de ouro em Lins. Temos que apoiar é este tipo de trabalho, para que outros Henriques apareçam no futebol, no vôlei, no handebol, no atletismo, no judô, entre outras modalidades.


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