HORA DA VERDADE

NOROESTE:
CHEGOU A HORA DA VERDADE

Por Rafael Antonio

O que mais tem me chateado em relação ao Noroeste não são as apresentações em si na Copa Paulista, mas sim a postura do técnico Luciano Dias, diante do que vem acontecendo ao longo dos jogos.

Desde a sua volta ao banco de reservas, o treinador tem sido extremamente infeliz nas suas declarações.

A primeira delas, após a derrota para o modesto Sport Barueri (chegou em Bauru em ônibus escolar) por 3 a 0, em pleno Alfredão, Luciano foi enfático ao dizer que o clube está fazendo da Copinha um laboratório para o Paulistão. Um verdadeiro “tiro no pé”, principalmente porque uma declaração dessas afasta definitivamente o pequeno público que tem prestigiado o Noroeste nesta competição. Como cobrar do marketing ou mesmo do próprio torcedor, se o treinador sai com este tipo de declaração.

Não satisfeito, Luciano foi mais uma vez extremamente infeliz no último sábado, por conta do empate com a Francana em 2 a 2. O treinador afirmou que jogadores como Bonfim, Lello e Hernani não estão acostumados com competições como a Copa Paulista. Eu aproveito para refrescar a memória do noroestino e citar que em 2005, o mesmo Bonfim foi campeão com o Noroeste da Copa Paulista, com grande atuação. Mas o pior mesmo foi o treinador afirmar ao nosso repórter Thiago Navarro que só tem uma derrota em casa nesta competição e que o seu aproveitamento a frente do clube é muito bom.

Aí eu pergunto, onde estava o Luciano Dias na primeira fase da Copa Paulista. Ele só não ficou no banco de reservas porque não quis. Durante a semana de treinamentos, ele sempre esteve comandando os trabalhos, além de acompanhar todos os jogos, seja nos camarotes ou mesmo nas arquibancadas por onde o Noroeste atuou. Jogar a responsabilidade do insucesso na primeira fase em cima do auxiliar técnico, é no mínimo antiético.

Mas a reflexão que eu quero propor ainda é maior do que os equívocos do nosso atual treinador, que ao que parece está extremamente prestigiado pelo comando do clube.

Eu não consigo admitir que um clube com 100 anos de história, bem estruturado, com salários em dia, com 35 jogadores no elenco até outro dia, entre em uma competição com a simples pretensão de disputar. No ano do seu centenário, o mínimo que o Noroeste deveria fazer era repetir o feito de 2005, onde obteve o acesso a Série A1 do Paulista no primeiro semestre e o título da Copinha no segundo semestre, classificando-se pela primeira vez em sua história para a Copa do Brasil.

Esta na hora do Noroeste alçar vôos mais altos. Sair dessa mediocridade. Não basta apenas participar do Paulistão durante três meses. Temos que galgar competições nacionais como a Copa do Brasil no primeiro semestre e o Campeonato Brasileiro no segundo semestre. Ou pensamos assim, ou então, vamos sempre ficar nessa, disputando três meses de Paulistão, um ano cai, o outro sobe, caindo no mesmo ostracismo hoje vivido por tradicionais times do interior como o XV de Piracicaba, América de Rio Preto, XV de Jaú, Francana, Comercial de Ribeirão Preto, São Bento de Sorocaba, São José, entre outros.

O momento é agora. Nessa Copa Paulista não dá mais. Mas a partir do Paulistão, ou se espelha num Grêmio Prudente, São Caetano ou Guaratinguetá, que estão nas Séries A e B do Brasileiro tendo receita o ano inteiro, ou então vamos passar a real para o torcedor, disputando três meses de Paulista e caindo na mediocridade no restante do ano. A resposta, está nas mãos dos nossos atuais investidores.


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