PANELA DE PRESSÃO: A NOVELA QUE NUNCA TERMINA

PANELA DE PRESSÃO:
A NOVELA QUE NUNCA TERMINA

Por Rafael Antonio

Acompanho o dia a dia do esporte bauruense há 16 anos e confesso que fiquei muito decepcionado com as últimas declarações do prefeito Rodrigo Agostinho e do secretário municipal de esportes José Carlos Pereira “Batata” a respeito do assunto Panela de Pressão.

Só gostaria de refrescar a memória dos senhores, que esta questão que envolve a parceria entre Noroeste e Prefeitura se arrasta desde abril do ano passado. Me lembro inclusive que fizeram uma solenidade simbólica de entrega de chaves para a prefeitura, quando na verdade, o acordo ainda não havia sido fechado.

Ao longo de todo este tempo, sempre procuramos ouvir os dois lados. O Noroeste sempre teve boa vontade em fazer a parceria, até porque tem um belo ginásio, que hoje infelizmente não vem tendo utilização. Já a prefeitura alega desde abril, que existem empecilhos jurídicos. Ora, será que em 9 meses não dá para dar a resposta a população se a parceria pode ou não ser concretizada.

A grande verdade é que “empurraram o problema com a barriga”, só que agora chegamos a uma situação extremamente delicada. Em poucos meses, o Bauru Basquete ficará sem casa e o poder público vem dizer através do secretário que a agremiação não tem representatividade.

O que o senhor entende por representatividade? Será que uma equipe que disputa as primeiras posições do campeonato paulista e que joga de igual para igual com todas as equipes no principal campeonato nacional de basquete masculino não tem representatividade.

Uma instituição que faz um projeto social sério chamado Cesta Mágica, onde jovens das camadas sociais mais baixas são inseridos, e uma torcida que lota o Ginásio da Luso em todas as partidas, e que lota um ônibus em pleno domingo pela manhã para acompanhar o time em Matão pelo Campeonato Nacional, não tem representatividade.

Senhores do poder público, vamos acompanhar com mais freqüência o que vem sendo feito, principalmente sob o ponto de vista do envolvimento da comunidade com a equipe. Apareçam nos jogos não só no período eleitoral, mas durante todo o processo.

Gostaria de salientar que Bauru é um dos poucos municípios do Estado de São Paulo onde o poder público não oferece um ginásio adequado para as modalidades de alto rendimento. E aqui não se trata de apenas beneficiar o Bauru Basquete. A Panela seria útil para o vôlei masculino que pretende implantar um projeto de alto rendimento na cidade, fora o desenvolvimento de escolinhas em diversas modalidades esportivas.

Falo isso porque o meu trabalho fez eu conhecer outras estruturas esportivas. Gostaria que o prefeito e o secretário visitassem São Bernardo, Americana, São Carlos, São José dos Campos, Franca, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e até cidades menores como Luís Antonio, Jaguariúna, Lins, e procurem se interar de como o poder público oferece estrutura esportiva para as modalidades.

O que mais me entristece, é que o poder público não está preocupado com a política esportiva, mas sim com promoção pessoal. É mais cômodo construir um Ginásio no Edmundo Coube (reduto de muitos votos) e entregar para os Jogos Abertos, que vão acontecer as vésperas do pleito municipal.

Não sou contra os Jogos Abertos, muito pelo contrário. Considero uma grande conquista para a cidade. Mas que adianta termos Jogos Abertos se perdermos as nossas equipes competitivas. E para não perdermos as equipes competitivas senhor prefeito, precisamos agir rápido. Não podemos esperar 2012.

Gostaria imensamente senhor prefeito e senhor secretário de esportes, que os senhores me contrariassem. Gostaria que a partir de agora as medidas da prefeitura e da secretária priorizassem o esporte da cidade. Ainda dá tempo. Façam algo realmente produtivo pelo esporte bauruense, reativem a Panela.


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