PAULISTÃO 2011: NOROESTE - JÁ ERA ESPERADO

PAULISTÃO 2011:
JÁ ERA ESPERADO

Por Rafael Antonio

Amigos do Esporte, amantes do futebol e do Esporte Clube Noroeste. Segunda-feira triste para todos nós. Fim de uma tortura que durou 3 meses e 19 rodadas. O desfecho acabou sendo doloroso, mas esperado, por todos os equívocos cometidos pelos mandatários noroestinos.

A história de mais um rebaixamento (oitavo na história do centenário Esporte Clube Noroeste) foi construída desde a Copa Paulista do ano passado. As coisas já não caminhavam legais com Luciano Dias naquela competição. Porém, a diretoria optou em acreditar no treinador que havia subido o time da A2 para A1.

Resultado: montagem de elenco ruim, planejamento equivocado. Os erros foram inúmeros. Preparação física inadequada na pré temporada, que resultou em inúmeras lesões e fadigas musculares ao longo das 19 rodadas. Se não bastasse isso, contratações de jogadores com qualidade técnica duvidosa para não dizer outra coisa.

Não houve uma preocupação real em se verificar o desempenho dos atletas na temporada anterior. Vamos citar alguns exemplos: o lateral esquerdo Gleidson não chegou a atuar 50% dos jogos do Duque de Caxias na Série B do Brasileiro. E o que dizer do Francis: não jogava pelo Bragantino desde a metade do ano passado.

E a escolha de alguns elementos com vasto currículo de rebaixamento. Vamos citar alguns exemplos: Cris (zagueiro bi rebaixado, pelo Monte Azul e pelo Grêmio Prudente na temporada 2010), agora é tri rebaixado no Norusca. E o Matheus: já tinha caído com o Noroeste em 2009, caiu com o Sertãozinho no ano passado e agora cai novamente em Bauru.

Luciano Dias durou 5 rodadas. Foi demitido após uma vexatória goleada sofrida em casa por 5 a 1 diante do Americana. O que se esperava então era a chegada de um técnico “saco roxo”, com característica de sacudir o então elenco que demonstrava total falta de comprometimento com a camisa e a torcida noroestina.

Trouxeram o Lori Sandri, verdadeiramente experiente, com vasto currículo, mas com alguns insucessos, como por exemplo, o rebaixamento do Sertãozinho em 2008. Simpático, de boa retórica, Lori infelizmente só ficou na teoria. Ao lado da diretoria, preferiu acreditar no fraco elenco, ao invés de dispensar alguns e trazer outros atletas para resolverem a falta de qualidade técnica. Só chegou o Vítor Júnior, indicado por ele, que pouco acrescentou. Resultado: foram mais dez rodadas e uma inevitável demissão após a humilhante goleada por 4 a 0 sofrida em Itápolis, diante do Oeste.

A exemplo de 2009 com Zé Rubens, a diretoria do Noroeste optou por uma solução caseira nas três últimas rodadas do campeonato. Desta vez, Jorge Saran, técnico das categorias de base, foi o escolhido. Até que trabalhou legal com o emocional do elenco. Deu certo no jogo contra a Portuguesa (um dos poucos bons lampejos do time no Campeonato), mas nos jogos contra o São Paulo e Ituano, ficou evidente a limitação da nossa equipe.

Alguns outros personagens desta tragédia, “merecem” um parágrafo de citação.
Beto Souza, simpático, com boa articulação, mais uma vez foi um fiasco na condução da direção da locomotiva. Soma agora o seu terceiro rebaixamento no currículo (anteriormente havia caído com Guarani, Goiás e agora o Noroeste). Antes da bola rolar, acreditava em três vitórias nas três primeiras rodadas. Que decepção!. O Noroeste levou dez rodadas para somar estes nove pontos. Em entrevistas, continuou defendendo o grupo, que na sua concepção estava entre os dez melhores da competição. As rodadas foram passando e a sua ficha só caiu no último jogo em Itu, quando ao final do jogo, aos microfones das emissoras de rádio, admitiu a limitação do elenco que montou.

E o que dizer de Otacílio Neto, contratado para ser a “cereja do bolo”. Maior salário, maior estrela, maior decepção. Primeiro, a sua constante presença no departamento médico e ausência do time em várias rodadas do campeonato. Dentro das quatro linhas, atuações apagadas e apenas um gol (falta no goleiro da Ponte) ao longo da competição. Prá fechar com “chave de ouro” a sua pífia atuação no campeonato, ficou no banco no último jogo e ao entrar na partida em Itu após o intervalo, não conseguiu permanecer nos 45 minutos finais, sendo expulso por total falta de controle emocional.

Diante de tanta mediocridade, é difícil salvar alguém. Mas tivemos pelo menos alguns personagens que no meu entendimento, se salvaram. Livro o goleiro André Luís, que apesar de ter falhado no último jogo, foi extremamente regular na temporada. O seu reserva Yuri, quando entrou não comprometeu e mostrou ao final do jogo em Itu, todo o seu amor ao Noroeste, chorando copiosamente no banco de reservas. Também destaco o zagueiro Halisson, que apesar de toda fragilidade da nossa defesa foi o que se salvou ao longo das rodadas. Gustavo Henrique, quando jogou contra a Portuguesa, mostrou que deveria ter sido o titular da lateral esquerda ao longo de todo o campeonato. Também acrescento o Tiago Ulisses e o Júlio César, que apesar de não serem brilhantes, podem arrumar alguma coisa melhor no segundo semestre e o Diego, que apesar das cãibras ao longo do certame, foi um dos mais raçudos deste elenco. No mais, não há o que salvar, apenas a lamentar.

Pobre Norusca, pobre torcida, que se repense o futuro. Que venha a Série A2 novamente em 2012.


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